"ABSA: Palegazer e Red Eye"
Por Diogo Azevedo
Imagem por Diogo Azevedo
07 – Dezembro – 2025
Trazidos pela ABSA (As Below So Above) ao Porto, surge um par de bandas que dão um match melhor que queijo e goiabada. Estou a falar claro do concerto de Palegazer e Red Eye, precisamente na noite a seguir à pedrada que ocorreu no Woodstock69 Bar (para os mais curiosos ver aqui -> https://subsolo.pt/ocultara_greengo).
Palegazer oriundos do Porto e com raízes no post-metal e doom/sludge, estrearam o palco desta noite. Ainda não munidos de nenhum lançamento, porém em conversa, lá revelaram que está para breve, por isso fiquem atentos!
Já os tinha apanhado no seu concerto de estreia na Socorro exatamente nesta mesma época natalícia de 2023, e imediatamente alinhei na direção que levavam. Porém hoje mais afinados e com mais experiência nas suas palhetas/baquetas não voltaram a desiludir.
Foram novamente a surpresa de alguns e a lembrança de muitos, que se pode navegar entre o leve e o pesado sem desdém e cruzam-se entre estilos com facilidade como raramente se sente.
De pé literalmente no bombo, nada serviu para segurar a bateria que alimentava e dava marcha aos riffs que Francisco Malojo e o Gil Pereira teciam.
Entre acordes soltos e palm-mutes escreviam um enredo narrado por Malojo, indo dos 0 aos 11 no que toca à distorção.





Mas por falar em distorção, Red Eye parecem ser veteranos nisto, desde do seu som à sua performance estes nossos hermanos de Málaga, pisaram o Woodstock69 como ninguém! Ah! E trouxeram umas luzinhas que a meu ver enquanto fotógrafo deviam de existir tanto no Woodstock, como em qualquer palco do underground! (as fotos falam por si kekek).
Mas quando falo de peso, falo a sério! Um groove inigualável muito proveniente do sludge e do doom mas com elementos de 70s e stoner aqui e ali, adorava sinceramente ver isto com um PA maior tipo palco 3 do Sonic Blast? (inserir emoji dos olhinhos).
O Mansour, para quem não sabe corpo e alma da ABSA, quando me falou deste concerto disse que ia curtir esta banda… E quão bem me conheces amigo!…
Foi um desafio fotografar enquanto fazia uma nasty face e me aguentava para não largar a câmera e fazer da minha cabeça uma betoneira ( headbang para os menos criativos).
Entre um tom de cordas e chicotadas na pele, que faziam deslocar tectonicamente o próprio hemisfério invicto, Red Eye conjurou ritmos que não lembram ao menino Jesus mas que ainda hoje vagueiam na minha memória, como se um PTSD se tratasse, ouçam a Beyond ou Nebula do último lançamento deles “III” como bons exemplos.
Red Eye agarrou no público e fez dele um chinelo do início ao fim tanto pelo seu peso como pela a sua presença em palco, nota-se claramente que gostam do que fazem, e fazem-no, expressando-o com todas as rugas da cara (e acreditem que eu também devo ter lá saído com mais umas quantas, dado que o set deles rondou uma hora e meia!).
Acreditem no que vos digo, quando virem Red Eye ao vivo, vão fazer cara feia!








