"Goldfish Kaseem + GOMOJO"

Por Francisco Moura

Imagem por Francisco Moura

18 – Junho – 2026

Estamos em altura dos Santos Populares em Lisboa. A Graça está repleta de roulotes com bifanas e jolas, enquanto se ouve música animada por todo o lado. Mesmo ao lado, no DAMAS, decorria também uma alternativa simpática, rock & roll fresquinho e bem-disposto.
A noite começou quente com os GOMOJO, banda formada em Lisboa, mas composta por músicos oriundos de vários países, e não poderia ter sido mais quentinho e fofo. Os GOMOJO apresentaram tudo o que se procura numa banda de Psychedelic Dream Pop, melodias etéreas, atmosfera envolvente e uma capacidade rara de transformar uma sala escura num lugar confortável. Morninho, acolhedor e contido, o concerto remete para vários momentos das nossas vidas. Parece estranho vindo de uma pessoa que está habituado a ouvir Blast Beats aos berros todos os dias e a toda a hora, ver um concerto tão ternurento como este, faz não só bem, mas também deveria ser incentivado. Durante breves momentos, imaginamo-nos novamente a sair com os amigos pela noite dentro. Alguns desses tempos já passaram e não regressam da mesma forma. Criam-se memórias novas, mas a nostalgia continua lá. GOMOJO proporciona isso. Esperança em brasa, da forma mais bonita possível, musicalmente.
A seguir foi a vez dos Goldish Kaseem de entrar em palco. Projecto Fuzz de Rodrigo Vaz (baixista dos Asimov) que acaba de lançar o primeiro disco, “For a Bryter Future”, apresentado ao vivo neste concerto. 
Em apenas 40 minutos, o trio cria uma viagem psicadélica feita de riffs bem distorcidos, baixo saliente e uma bateria ruída e energética.
Nunca podem faltar aquelas vozes distorcidas que ajudam a criar a sensação de estarmos a provar um picante viciante: dá a volta à cabeça, mas queremos sempre mais! Houve mimos, tal como a “Stay Clean” dos Motörhead (se tu que estás a ler, só conheces a “Ace of Spades”, pelo amor da santa, vai ouvir mais malhas, se faz favor…) e a “Cell Out” dos NOFX, mas com aquela cobertura da Road 66Apesar do público querer estar mais quieto, isto é cena para se mexer e bem. Dá para sentir que o Verão chegou oficialmente mais cedo. Daqueles fins de tarde que pedem uma cerveja fresca e concertos junto ao mar.
Enquanto os arraiais continuavam a ecoar pelas pracetas da Graça, dentro do DAMAS houve espaço para outro tipo de celebração. Menos tradicional, talvez. Mas suficientemente quente, livre e barulhenta para nos levar para um pequeno festival de verão escondido no coração da Graça. Porque enquanto existirem noites destas, o rock continua bem vivo.