"SWR Barroselas Metalfest : 6 bandas para apanhares, se puderes!"

Imagem por André Henriques

16 – Abril – 2025

Num país que teima em empurrar a cultura alternativa para as margens, o SWR Barroselas Metalfest resiste como bastião ativo de um underground sem concessões. Mais do que sobreviver, o festival insiste. E nessa insistência, cumpre-se um compromisso e escreve-se história. A 25ª edição arranca esta quinta-feira, atravessa o fim de semana do 25 de Abril e chega carregada de novidades .

O que começou em 1998, entre quatro paredes como um encontro local entre apaixonados pela música extrema tornou-se, com o passar das décadas, uma referência incontornável na Europa. Mas ao contrário de tantos festivais que se rendem à lógica do patrocínio fácil e à programação pop disfarçada de alternativa. Com menos ou mais lama à mistura, SWR, nunca perdeu o seu eixo e aqui, não há lugar para concessões estéticas ou comerciais. O cartaz é curado com critério, os palcos respiram suor e amplificação, e o público, partilha a mesma linguagem: a da entrega total. Este não é um festival que procura agradar a todos,e é precisamente por isso que se tornou vital.

Barroselas, uma vila “no meio do monte” a norte, transforma-se anualmente num santuário para quem recusa a diluição cultural. E a simbologia disso não é para menos,  deslocar a cultura para longe dos centros urbanos e dar-lhe corpo num território menos óbvio é, por si só, um ato político. Uma recusa do facilitismo, um elogio à persistência.

A cinco edições de completar três décadas, o festival mantém esta linhagem com um cartaz robusto que convoca nomes históricos como Repulsion, Unleashed, Hellripper e Aura Noir, como parte da atração principal, mas também abre espaço para a vanguarda e o risco com um equilíbrio raro no panorama a que nos tem habituado.

Já sabemos que independentemente do que nos presenteiam, vai ser bom, mas a particularidade desta edição, é contar com uma programação que para além de entreter, procura estimular e desafiar, e não há melhor forma de o fazer do que com uma bela Golpeada D-Beat’ada, ou com um Test de trituração e “Antes do Fim”*, lá estaremos, para descobrir o porquê de ser a primeira vez que Dokuga pisa os palcos SWR. – Brincadeiras à parte, para os amantes de um quatro por quatro, de punho firme, a representatividade deste tipo de bandas, neste line up de peso, vai para além da sonoridade e no momento que vivemos atualmente, gritos de revolução nunca são demais. Bem, achamos que a este ponto, já deu para entender parte do nosso propósito ao longo destes dias de pura intensidade, que estão por vir..E enquanto que, Dokuga já faz parte  da lista de concertos da vida do jovem portuense “por natureza”, temos a certeza, que tanto o hardcore punk dos Italianos Golpe, como o grindcore brasileiro de Test, são peças fundamentais a adicionar no reportório.

Para além destas três adições que parecem querer provocar aqueles que, por hábito, se agarram mais à técnica do que à mensagem, os palcos SWR também recebem nomes que marcaram o batimento cardíaco acelerado do último ano. Dolmen Gate, chega em modo ritual, celebrando um ano de “Gateways of Eternity”, o seu álbum de estreia. É impossível ficar indiferente ao sangue novo que corre nas veias da banda, um sangue que traz memória, mas não pede licença. Já Phenocryst, por sua vez, já não precisa de grandes introduções. 2024 foi-lhes favorável, e a intensidade sísmica do seu som continua a abrir fendas no subterrâneo. Mas para que haja sangue novo, alguém teve de abrir a poção. Utopium regressa dos escombros — depois de uma década em hibernação — para reclamar o seu lugar como uma voz envenenada que nunca foi calada. Estão de volta e não vieram para ser decorativos. – Assim, de rajada, sem dó, nem piedade! Não seria o Jordi Lopes, a bateria mais fast and furious que este país ervilha alguma vez já viu. Peso,destruição e relâmpagos a velocidade da luz é tudo que podemos esperar e pedir por mais.

Desafio aceite! Seis bandas, três lançamentos que estão na nossa mira há algum tempo e prometemos, que se ainda não estão, estão prestes a ficar na vossa também! – Apanhem-nos se puderem!

Para além da abordagem, o que torna o SWR verdadeiramente especial,está no que se vive e essencialmente na ausência de filtros. É um festival onde o underground não é adereço, mas identidade absoluta. E para muitos enquanto houver distorção em Barroselas, há chão firme onde resistir.