À4HÁ: Um sismo sonoro com Avesso e Cobrafruma
Texto por Francisca Sousa
Imagem por Diogo Azevedo
19 – Março – 2025
No dia 19 de Abril, apesar da ameaça da tempestade Martinho, o público subiu ao palco do Cineteatro António Lamoso para mais experiência À4HÁ, com selo da Basqueiro – Associação Cultural, presenciando uma noite mítica protagonizada por duas bandas: Avesso e Cobrafuma.
De lotação esgotada, como já é habitual nestas curadorias, a expectativa era perceptível em todos os rostos para este duplo ensaio sísmico.
Os Avesso abriram as hostes num ambiente de luzes difusas, cuja intensidade soube, e bem, acompanhar esta viagem sonora apoiada na dualidade entre melodias hipnóticas e picos de agressividade. A banda conseguiu capturar o público desde o início, com Paulo Rui a contagiar toda a sala e a demonstrar uma simbiose inevitável entre banda e audiência. Ninguém ficou indiferente e a massa de corpos foi-se acumulando para receber o álbum de estreia – Desassossego – cuja energia ali foi partilhada, marcada por uma intensidade crescente que culminou em finais explosivos.




Esta junção “inesperada” entre os 4 músicos originou temas inteiramente em português, tais como “se eu pudesse trincar a vida toda”, cantada por muitos membros da plateia, que viveram o concerto de sorriso cúmplice. A cada música que se seguia, rasgava-se a densa muralha de distorção que se entrelaça com a pulsação rítmica impetuosa.
Entre os aplausos finais, ficou a premissa dos Avesso: o céu e o inferno estão em todos nós.






O epicentro do sismo foi trazido pelos tão aguardados Cobrafuma, que entraram com a alta potência que os caracteriza, fazendo tremer as vigas das novas obras do Cineteatro António Lamoso. Contando com 3 temas novos, o alinhamento deste concerto foi vivido com a máxima velocidade e o público envolveu-se em peso, entre abanões, empurrões, e, sobretudo, êxtase.
A tempestade sonora dos Cobrafuma fez com que temas como “Fina Peneira”, “Coma do Rock” e “Buraco” se tornassem hinos que marcam os tempos atuais, tornando cada refrão num grito coletivo de resistência que nos sacode o corpo e o espírito. Há mesmo algo de indescritível que se observa nos rostos de quem recebe esta descarga de energia com riffs frenéticos e furiosos, pois esta experiência é como uma cavalgada até aos escombros do fim do mundo.





Houve ainda tempo para estrear a “Droga Total”, tema do tão aguardado futuro registo da banda, que promete manter o nível avassalador do álbum vigente e que nos impele a adiar o final – mas também, depois disto, quem é que ir para casa?
A visível sintonia entre os membros desta super banda originou uma entrega absoluta que não deu tréguas nem descanso, abanando toda a sala com a derradeira “Punk Hits”, a contagem que acaba no número 6 e que fica gravada no zumbido dos ouvidos de quem acaba de levar com uma autêntica lição de fúria sonora. Ninguém levou com uma viga, mas quase.











A experiência À4HÁ de um palco dentro de um palco provou, uma vez mais, servir de boa catarse para uma quarta-feira que se adivinhava cinzenta e onde restou a certeza de que o público teria ficado ali horas a fio.
