Sinistro & Avesso: Noite de Peso e Poesia em Alvalade

Texto por Francisco Moura

Fotografia por Miguel Martins

1 – Fevereiro – 2025

Numa noite não tão fria como a manhã, a República da Música em Alvalade, Lisboa, foi palco  de duas bandas importantes no panorama musical português, com apresentação de “VÉRTICE” dos lisboetas SINISTRO, acompanhados pelos AVESSO da Invicta, com o seu “DESASSOSSEGO”. 

Avesso, são liderados pelo grande Paulo Rui e pelos colegas Vitor Hugo, Dani Valente e Diogo Leite.  Todos eles vêm de backgrounds diferentes do rock & roll, sendo talvez o Paulo Rui, mais familiarizado por berrar em Besta e Redemptus (e EAK para os mais old school). Pelas 22h, começa o concerto dos Avesso com a “O Doce Pulsar do Coração de Lúcifer”, em que imediatamente começa a jarda que o grupo nos deu durante mais ou menos, 40 minutos. Dá para perceber que a banda, depois de uma estreia no Amplifest e com uma experiência com coro, é uma banda que domina a dicotomia entre as melodias e harmonias, com os berros partilhados entre o Paulo e o Vitor. Isto é claro no Single “A Existência dos Homens” que é tão orelhuda que uma pessoa pode assobiá-la para sempre. O Paulo durante o concerto todo, mostra que está no seu habitat natural, onde nunca para de se mexer, enquanto está in character enquanto toca, mas durante as pausas das músicas, nos atira curiosidades, como por exemplo, “a existência dos homens” foi inspirada em Omar Khayyam e a “Se Eu Pudesse Trincar a Vida Toda” por Pessoa. Apesar do frontman ter grupos que é costume passar o tempo todo a gritar, o comparsa Vitor Hugo, também demonstra ao vivo que consegue acompanhar o foco central.

Avesso é uma banda com garra, acabando com a “quem tem alma não tem calma”, arrasando todos os presentes, garantindo-os que Avesso é para ser guardado no coração.


Sinistro é uma banda muito especial para Portugal. É Doom com Post-metal, com uma voz feminina. É distinta, porque consegue ser teatral com uma certa pitada de fado, algo que só Sinistro consegue executar.

O Rick Chain e o Ricardo Matias, sempre conseguiram sacar riffs “gingões”, em que quase hipnotizam as pessoas, cheio de beleza com peso. O concerto, infelizmente, não esteve presente o Pedro Do Vale, baixista do grupo, mas isso não impediu que a banda desse tudo o que tinha para oferecer. No curto intro foi usado a “Ruas Desertas” do homónimo da banda, passando com um corte para a “Partida”, no qual entretanto, aparece a Priscila da Costa, que é a nova vocalista da banda. Ela é sem dúvida a pessoa indicada para substituir a Patrícia, e é injusto dizer qual das duas é a melhor, pois ambas trazem à sua maneira, uma forma de encantar e prender as pessoas, que acaba por ser algo mágico.

Após uma poderosa entrada, segue o poema triste, “Elegia”, single do mais recente disco “VÉRTICE”, no qual encaixa que nem uma, seguindo pelo “Abismo” e “O Equivocado.”

Houve uma bela surpresa no momento em que tocam a instrumental “A Ira”, quando Priscila pega numa guitarra e acompanha os camaradas, com riffs deliciosos. De seguida, passa a “Relíquia” na qual é uma das músicas mais impactantes de Sinistro, acabando então o concerto com a “Templo das Lágrimas”.

 Todos os concertos de Sinistro, acabam sempre com a “Verdes Anos” do mítico guitarrista Carlos Paredes, cessando assim o espetáculo. Foi deveras uma noite bastante agradável em Alvalade, na qual houve uma purificação das almas. Espera-se então mais oportunidades para rever estes projetos que representam a música portuguesa de uma forma mais pesada.

 

SETLIST

Avesso

  1. doce pulsar do coração de Lúcifer
  2. Filme intenso em rosto manso
  3. Aos que a felicidade é sol vira a noite
  4. A existência dos homens
  5. Se eu pudesse trincar a vida toda
  6. O céu é o inferno
  7. Tristeza não é derrota
  8. Quem tem alma não tem calma

Sinistro

Into- Ruas Desertas

  1. Partida
  2. Elegia
  3. Abismo
  4. O Equivocado
  5. A Ira
  6. Relíquia
  7. Templo das Lágrimas

Outro – Anos Verdes – Carlos Paredes