"All eyes on Masafer Yatta"

Por Francisco Moura

Imagem por Francisco Moura

24 – Abril – 2026

Os tempos de hoje são muito desafiantes. O futuro é incerto. O custo de vida tem aumentado significativamente, tornando-se cada vez mais difícil para muitas pessoas suportarem as despesas do dia a dia. Ainda existem preconceitos que já deveriam já ter sido ultrapassados. A empatia, um valor essencial para a convivência harmoniosa, parece estar em falta na sociedade atual. 

Apesar destas dificuldades, ainda existem espaços que resistem ao ódio e onde há lugar para
todxs. O que se pede não é muito: apenas felicidade e bem-estar. É aí que entra o “Disgraça”. Um espaço que existe para quem dele precisa, que nutre quem procura alimento ou simplesmente companhia. Aqui, o desprezo é erradicado, dando lugar à harmonia.

No dia 11 de abril, um dia solarengo mas ventoso, os jovens encheram este simpático espaço para desfrutar de um final de tarde agradável. A programação começou com uma palestra sobre a comunidade Queer na Palestina, proferida por Ema Gonçalves, que expôs uma realidade que muitos de nós não vivemos, sendo vital termos noção do que se passa. Seguiu-se
um pequeno workshop de criação zines, fomentando ideias e desejos para futuros projetos.

Para abrir o apetite, entraram os Taxonomy. Banda jovem que de momento ainda só tem uma malha lançada no SoundCloud, mas já passou pelo Vortex, pelo “Disgraça” e abriram para os Test no ano passado! Não se iludem porque estes moços dão uns concertos a começar com uma rendição da “Verdes Anos” de Carlos Paredes e depois parte tudo para a violência.

Entre apelos contra a autoridade e covers de Acid Bath, espero que esteja para breve um EP ou algo que sirva de acompanhamento. É um Sludge muito genuíno e desde que a mensagem seja transmitida no mosh, isso basta.

A meio estiveram BBB Hairdryer, projeto de Elisabete Guerra, onde histórias íntimas ecoam em quem as decide sentir. Habitualmente em formato “big band”, desta vez tivemos algo diferente: um set mais noise, apenas com Elisabete e “chica” em palco. Durante cerca de 20 minutos, criou-se um ambiente intimista, poético, experimental e catártico. 

Com poucos elementos, pedais, microfones, guitarra, baixo e o Necromonikon onde repousavam as palavras, construiu-se uma experiência única. No final, Elisabete colocou a guitarra no meio do público, convidando todxs a contribuir para a parede sonora.
Para quem ainda não viu BBB Hairdryer ao vivo, estejam atentos. Seja em formato completo ou noise, vale sempre a pena.

Para arrebentar com tudo: Nic Rage. Projeto de Tobio (Bas Rotten) com o irmão Zé, acompanhados por Vegeta, Ash e Lucas — uma autêntica equipa de combate. Aqui mistura-se Hardcore com pitadas de Grind, tudo embrulhado numa estética de wrestling.

Mascarados e prontos para a batalha, foram 30 minutos intensos e diretos. O mosh não parou um segundo, com toda a gente aos berros. Fica a questão: para quê beber Monster quando podes estar num concerto de Nic Rage?

Outra questão ainda: quando é que isto passa para um ringue a sério? Porque faz todo o sentido. Como já é tradição, o concerto terminou com um sample de “Dance Dance Revolution”, fechando tudo com uma energia inesperadamente festiva.

Após os concertos, ainda houve a exibição do filme “No Other Land”, que ganhou o Óscar de melhor documentário em 2025, acabando assim o dia com mais exposição do conflito em Gaza. Algo que criou reflecção sobre autoridade opressiva e aparente impunidade, de um regime que encara a aniquilação como solução para algo que nunca deveria ter chegado a este ponto.

A terminar, um agradecimento à Marta, Rita e Artin por esta tarde no “Disgraça”.

Que nunca desistam de lutar pelo que é certo, porque não há nada mais importante do que fortalecer laços para construir um futuro melhor.