"Vulcão Colossal"
Phenocryst & Repugnator

Por Francisco Moura

Imagem por Francisco Moura

10 – Agosto- 2026

Nem todos os concertos no Vortex esgotam a sala. Mas quando saiu o flyer para este concerto, realmente deu para sentir na pele que iria ser uma noite bastante pesada, como se pede. Era uma daquelas noites que simplesmente tinham de ser vividas. É por isso que cá estamos. Para ver e ouvir veteranos a dar tudo, com o regresso dos Phenocryst e a estreia dos Repugnator ao Vortex. Como não aparecer no Vortex, num dia de casa esgotada, para ouvir o tipo de barulho que os nossos pais odiariam?
 
A começar o gig, tivemos os Repugnator, banda de War Metal do Porto, que vieram vestidos a rigor. Pinturas na cara, correntes, espigões, mesmo à Blasphemy. Até ao momento, os Repugnator contam apenas com um EP, Foul Transfixation, que foi tocado praticamente na íntegra. Como manda o lore, os nomes dos integrantes, como se apresentam no Bandcamp, são Scourge Degradator (voz), Sulfuric Wraith (guitarra), Cryptic Smog (baixo) e Poisonous Fumes (bateria)
Ao longo deste texto vou referir-me aos membros pelos seus nomes de guerra. Com a sala já abarrotada ao som nojento dos Repugnator, foi pena que o calor humano tenha impedido que houvesse moshes, porque acreditem, aquilo pede pancada.
O Scourge soava como uma besta. Houve momentos em que parecia impossível um ser humano berrar daquela forma (enorme Scourge), enquanto o Poisonous variava D-beats a Blast Beats, com uma finesse e naturalidade descomunal. Claro que as cordas do diabo andavam bem altas e deliciosamente sujas. Mais uma vez, era mesmo música feita para abrir rodas.
 
Quem viu dificilmente ficou indiferente. Fica sempre o desejo da próxima vez.

Após a nojice, vieram os Phenocryst para nos arrebentar como um vulcão colossal. O Death Metal tem mais variantes que receitas de bacalhau, sendo que os Phenocryst seguem uma abordagem dissonante, mas tecnicamente irrepreensível. Liderado pelo D.S, com a bela companhia do Gonçalo Faias (também de Nagasaki Sunrise), Diogo Santana (tem uma porrada de bons projetos de Black Metal) e o Artur Pacheco (toca nos Prayers of Sanity), ou seja, uma horde dos melhores músicos daqui da Tuga. Estavam reunidos todos os ingredientes para cerca de 45 minutos de puro peso. Com Explosions (EP) e Cremation Pyre, lançamentos até ao momento, fizeram-se ouvir e foram muito bem recebidos. Tal como em Repugnator, não houve presença de mosh, mas para quê, se a intensidade tectónica deste som, nos bate dentro de nós?

Foi mais uma excelente noite de peso no Vortex. Casa cheia. Muitos amigos para falar sobre a vida, claro que se recomenda e partilha com todo o gosto.

Escusado será pedir mais, porque o Vortex continuará sempre a ser palco de grandes concertos no underground nacional.