Por Francisco Moura
Imagem por Francisco Moura
24 – Abril – 2026
Doom Thrower "Matiné solarenga ao som de música tenebrosa"






















Depois de refletir sobre o peso da existência, chegou a altura de descarregar tudo com os Vaneno. São daquelas bandas que pedem um mosh praticamente desde o primeiro riff. E, claro, houve. Apenas uma semana depois de um concerto sangrento em Ovar com os Bas Rotten, Alex voltou a mostrar que nasceu para o caos. Num palco bem mais alto, dava perfeitamente para imaginar um voo em direção ao público caso tivesse espaço para isso. Com o ainda fresco Chaos, Hostility, Murder, o próprio título do disco resume bem aquilo que é um concerto dos Vaneno. Não há tempos mortos, baladas ou lamechices. Há riffs para partir pescoços, cabeças a abanar e malta a empurrar-se para dentro do circle pit. Com Filipe Peraboa e António a sacarem riffs bastante deliciosos e ritmados e Miguel Nunes a acelerar o processo, parece que estamos a ouvir o cavalgar dos quatro cavaleiros do Apocalipse. Merecem todo o carinho que têm recebido, apesar do sludge rafeiro e sem filtros que praticam.










Os Lord of Confusion, quarteto oriundo de Leiria, fecharam esta bela tarde em Almada da melhor forma. Com um doom carregado de ocultismo e sintetizadores que parecem saídos dos anos 70, oferecem a banda sonora perfeita para quem gosta de imaginar que está a ver O Exorcista. Carlota Sousa liderou autênticas invocações ocultas, enquanto João Fonseca, no baixo, berrava com tudo o que tinha. Foi um ritual em toda a linha. Com The Weight of Life, editado em março, ainda bem quente e muito presente no alinhamento, quem não sentiu o diabo neste concerto é porque alguma coisa lhe passou ao lado. As guitarras de Danilo soavam de forma a deixar Tony Iommi orgulhoso. Foi tenebroso, no melhor sentido da palavra. Uma verdadeira delícia para quem aprecia doom tradicional com fortes doses de psicadelismo. Uma excelente trip satânica.











Esta tarde foi o reflexo do talento que temos atualmente na cena nacional. São bandas que merecem ser ouvidas, mas sobretudo experienciadas ao vivo. Para além de demonstrarem enorme qualidade, representam uma nova geração capaz de continuar a fazer evoluir a música pesada em Portugal. É pena que uma iniciativa com quatro bandas desta qualidade não tenha atraído mais gente. Se queremos uma cena nacional mais forte, festivais como este precisam de ser apoiados desde a primeira edição. Que para o ano o Doom Thrower regresse ainda mais intenso.
