Sereias:O Plano B é a revolução

Texto por Bruno Esteves

Fotografia por Diogo Azevedo

27 – Fevereiro – 2025

No passado dia 27 de fevereiro, “lá para às 22h”, a banda de noise rock do Porto denominada por Sereias e adorada pelos portuenses que não se identificam como “portugueses de bem” apresentou-se para um concerto no Plano B. Chamar a este coletivo de uma banda de noise rock não chega para explicar o som dos mesmos. A secção rítmica é repetitiva como que segurando este caos controlado com batidas sequenciais e com linhas de baixo imponentes. A guitarra e os sopros acrescentam à barreira de “noise” que torna esta banda mais abrasiva. Os sintetizadores fazem uma cama de melodia mais sombria juntamente com os vocais femininos carregados de efeitos muitas das vezes dissonantes. Por cima de isto tudo temos o spoken word de António Pedro Ribeiro com devaneios que flutuam entre a depressão e a psicose

Não foi a primeira vez que vi Sereias (ou a segunda, ou a terceira sequer) o que me fez ter já uma expectativa para o concerto que ia presenciar, no entanto foi a primeira vez que vi um concerto na sala do Plano B e mal entrei na sala a minha expectativa subiu mais um pouco pois percebi que este coletivo ia ter boas condições para entregar um excelente espetáculo. E assim o fizeram! Já vi Sereias em espaços mais pequenos como o Barracuda por exemplo e funciona também, no entanto a única vez que senti tanto ímpeto como desta vez foi no festival Estaleiro em 2019 em Esposende. Este grupo precisa de um pouco de espaço para que todas as singularidades estejam no seu expoente máximo e quando isso acontece somos absorvidos por uma onda de intensidade quase apavorante.

Começaram o concerto com um drone, um apito de água e as tais vozes dissonantes e, a partir desta introdução conseguiu-se perceber que as expectativas iam ser todas preenchidas pois a intensidade já estava presente na sala. Percorreram o set sem grandes pausas para silêncios para que não nos deixassem respirar e para que continuássemos agarrados à aspereza musical que o grupo transmite. Foi um set onde apresentaram improvisos baseados em músicas que irão ainda ser lançadas ainda que de vez em quando fossem proferidos alguns dos textos presentes em músicas já editadas. Nos momentos entre as músicas, António Pedro Ribeiro enuncia mensagens antifascistas e críticas não floreadas a membros do governo tocando até mesmo no escândalo de Luís Montenegro e a sua empresa imobiliária.

Este tipo de postura confrontacional e incendiária é o que diferencia Sereias e é o que faz com que a sua existência seja necessária, principalmente nos tempos que correm onde a ameaça da extrema-direita fascista está tão iminente. Precisamos de mais bandas que assumam no mínimo um posicionamento antifascista para que os intolerantes percebam que não passarão! Nunca será demais o uso deste tipo de mensagens tendo em conta que no nosso país a política ainda é vista por muitos como um interesse ou quase um “hobby”. 

 

Finalizo assim usando as palavras de Adolfo Luxúria Canibal e dou um “bem hajam” a Sereias!