Repugnância e Anarquia: Uma Noite de Devastação Sonora no Barracuda
Texto por João Nox
Fotografia por Diogo Azevedo
26 – Fevereiro – 2025
No Barracuda, em mais uma celebração do subterrâneo, os Repugnator abriram as portas do inferno com o seu war metal imundo, provando que nem dias de semana, conseguem travar a urgência do caos. Com a casa cheia e a energia no limite, os franceses Proudhon seguiram com um assalto sonoro anárquico, tornando a noite um verdadeiro manifesto de brutalidade e resistência.
Mais uma vez, eu saí do meu buraco para ir ver uma das melhores bandas do underground português. Desta vez a festa foi no Barracuda, organizada pela “Mordor Bookings”.
Não sabia nem queria saber o que mais tinha no cartaz. Podia ser a pior banda do mundo, podia ser durante a semana, podia ser debaixo da ponte durante um terramoto , mas se “REPUGNATOR” vai abrir, estou lá.
Tendo iniciado a sua esplêndida carreira em Maio do ano passado, ao lado dos Finlandeses Morbific, os “Repugnator” têm desde então invocado a minha presença no máximo de ocasiões possíveis, pelo menos dentro do país.
Agora com o lançamento do EP “Foul Transfixation” (que traduzido quer dizer mais ou menos “empalado pelo cu acima”, entre outras coisas) já podes ouvir a glória do repugnanço no teu leitor de cassetes preferido da Hello Kitty.
Gravado na “Tanoaria” (estúdio de gravação e mistura) de onde já saíram vários álbuns emblemáticos do underground nacional, “Foul Transfixation” tem cinco músicas de pura violência que vão deixar qualquer fã do gênero ansioso por um álbum inteiro. A capa também é uma verdadeira obra de arte, criada pela artista “Nosfewatuwu”, uma capa bastante gótica e tenebrosa, com as três cores legais do War Metal.






O concerto começou “mal”, afinal a guitarra estava desligada. Não interessa, escorregaram na partida mas chegaram à meta. O Death Metal mais podre do Porto nunca me desiludiu e neste dia, a tradição manteve-se, assim como a casa cheia na presença destas bestas da música agreste.
Não é todos os dias que uma banda de abertura tem tanta gente a assistir como o cabeça de cartaz, mas no caso dos Repugnator, é a lei.
Felizmente para todos, a banda de abertura não foi o único momento alto da noite. Os Franceses do grindcore que não conhecia de lado nenhum deram um excelente espectáculo que me trouxe memórias do Obscene Extreme.





Três franceses armados com instrumentos musicais, assaltaram os nossos ouvidos com vibrações de anarquia. Segundo o Metal-Archives, os “Proudhon” são dois gajos. Na foto estão 6 gajos, ao vivo eram três, mas oficialmente são dois.
O nome vem do ideólogo francês que inventou o conceito de Anarquia. Confundi inicialmente com Pronghorn, uma espécie de veado americano que tem mais a ver com girafas segundo o wikipedia.
Mas o importante é que PROUDHON deram um concerto incrível, o que não é fácil de fazer a seguir a Repugnator.






O guitarrista foi fazer companhia ao povo, deixando o palco para os outros dois, o baixista e o baterista que também cantava. Tremenda presença em palco, death grind carregado de energia, mais uma noite inesquecível com música de qualidade.
Agradeçam ao Sauron (Pepper) por organizar este belo evento, mesmo a meio da semana. Mal posso esperar pelo próximo. A Mordor Bookings não desaponta.
