"Tempestade Éowyn Não Abala o Underground Portuense: Mordor Bookings e IN LEAGUE WITH STEEL Triunfam no Woodstock 69"
Por João Nox
24 – Janeiro – 2025
É sexta-feira à noite. Ligo a televisão, a CMTV diz que está uma tempestade fodida a chegar. É uma tempestade com nome e tudo, Éowyn, nome da lendária mulher que rebentou as bentas ao Witch King no Senhor dos Aneis, por isso sabemos que é assunto sério.
Até o governo me enviou um SMS a dizer que está tudo a ir abaixo, alerta vermelho, FIQUEM EM CASA!
Portanto, peguei no carro e vim até ao Woodstock 69, um dos últimos bastiões do Underground portuense. Para me abrigar da fúria primordial de Éowyn, vim refugiar-me num evento da MORDOR BOOKINGS, e encontro a Pepper à porta.
Não esquecer que este fantástico evento foi também conjurado em parceria com os nossos amigos da IN LEAGUE WITH STEEL. Obrigado Couto e Pepper, os vossos eventos têm sempre som de qualidade, sei que posso confiar mesmo que não conheça as bandas.
Fico a dever meio euro à porta porque não há trocos, sofrimento clássico de quem está na bilheteira. Pelo amor do Lemmy, tragam dinheiro certo para pagar entradas, assim passa toda a gente menos tempo na fila (o que é MAIS tempo sem CERVEJA).






Vou ao bar buscar uma cerveja, saldo as minhas dívidas à porta e aguardamos pela primeira banda da noite.
Nunca tinha ouvido falar de “Itami” até ao dia anterior, influências japonesas com punk, foi como me descreveram a banda. Instantaneamente pensei que fossem “weebs”. Estava à espera de Katanas e Kimonos. – Fiquei surpreendido pela positiva ao ver o Baldaia de Jarda na bateria. Não sabia que este bro tinha outra banda, incrível!
Foi de facto um concerto incrível, aprovado para Metal Fiestas. A noite começou logo com a casa cheia desde a primeira banda, sem vazios de vergonha em frente ao palco, simplesmente uma massa de pessoas a curtir o som.
Excelente presença em palco, música simples, rude e eficaz, como deve ser um bom punk. Se calhar já estava meio distraído com as cervejas porque não pesquei as influências japonesas. Talvez tenha passado essa parte quando fui mijar.
De seguida, uma banda que não precisa de introdução para quem frequenta eventos da DOD, os poderosos “Necro Chaos”, que abriram para Morbific em Maio do ano passado.
Apesar de ser a única banda da noite que já tinha visto algumas vezes, surpreenderam-me com novos efeitos sonoros que lembram filmes de gore de baixo orçamento dos anos 80/90. Essa vibe encaixa perfeitamente com o Old School Death Metal directo dos Necro Chaos e mais uma vez, colunas vertebrais sofreram danos permanentes perante o som evocado por Morto, Oscar e Lucas, que Lemmy os abençoe.










Finalmente, chegam ao palco os “Nagasaki Sunrise” e vocês pensam, mais coisa de weebs certo? ERRADO!
Ficas a saber, jovem metaleiro/punk, que a cidade de Nagasaki foi fundada por PORTUGUESES! E por isso, os Portugueses foram os primeiros Weebs por volta de 1543.
De volta ao concerto, já tinha ouvido falar várias vezes dos “Nagasaki Sunrise” mas passaram-me sempre ao lado em festivais. Algo que depois desta sexta-feira NÃO PODE voltar a acontecer.
Um casamento destrutivo entre punk e thrash metal que me fez lembrar de Skullfist (entre outras 300 bandas) mas menos estridente. Mas qualidade é qualidade, e os Nagasaki têm uma enorme paixão pelo que fazem e uma direção clara com o seu som, o que se traduz num concerto BRUTAL que me transportou de volta aos anos 80.
Vieram apresentar o seu álbum novo “Distroyer”, que estou a ouvir enquanto escrevo isto e a chorar por não ter adquirido uma cópia. Espero que o Manuel da Bunker ainda me safe um CD.













Não é todos os dias que se descobre uma banda que é tão consistente em estúdio como no palco, as minhas expectativas foram completamente demolidas, assim como foi Nagasaki em 1945.
Mal posso esperar pelo próximo, nem que tenha que ser eu a organizar. Por isso, Faias, seu animal do thrash, se estás a ler isto, vamos marcar qualquer coisa.
Para concluir, desejo aos Nagasaki Sunrise, um bom US Tour, contamos pelos dedos as bandas portuguesas que atravessaram o Atlântico para tocar nos States e vocês merecem juntar-se a esse grupo
