Soul Of Anubis - A incarnação do Ritual

Por Diogo Azevedo

Imagem por Maria João Ferreira

13 – Março – 2026

Os Soul of Anubis regressam com “Ritual”,editado pela italiana “Time to Kill Records”, este trabalho aprofunda e reforça a identidade sonora do duo português, tanto a nível de produção como composição, complementando o seu repertório aliando-se ao seu trabalho anterior “The Last Journey”. 

Este quarto disco (o primeiro como duo) surge como uma obra coesa e intensa, onde o peso esmagador das guitarras e a pulsação rítmica densa da bateria se fundem numa atmosfera carregada de riffs relâmpago e peso digno de um hipotético buraco negro, que se avizinha a cada momento, para por um fim à com a nossa existência.

O primeiro tema do álbum, é o próprio que lhe dá nome, começa assim o RITUAL, e introduz-nos ao pesado e definido tom de guitarra de Hugo Ferrão, não fosse ele um mestre de pedais e um connaisseur de amplificadores. Mas revela-nos também uma grandiosa, mas precisa bateria de Rui Silva.

É por isto também que refiro este álbum como uma obra coesa e intensa, pois é entregue ao ouvinte com uma dimensão e definição excelente, graças ao Studio Lote 71 do próprio Ferrão, no qual o mesmo gravou, mixou e masterizou esta jarda auditiva.

Estamos ao longo do álbum envolvidos numa enchente de riffs pulsantes e diria com certos elementos “Mastadónicos”, mas nada que tire a imprevisibilidade e a rebeldia das 6 cordas (que soam a 32568) neste árduo, mas agradável caminho traçado pelo duo.

E se achavam que o caminho era percorrido só a dois enganam-se!

No tema “Mind Crusher” temos a bela companhia do Keijo Niinimaa de Rotten Sound na voz, que acompanha e complementa a de Ferrão como ninguém!

Mind Crusher apresenta-se logo com um d-beat que faz qualquer crustie desta vida virar a cabeça com olhar curioso para o que aí vem, claro que este só aparece depois de um belo “Bleugh!” como manda a lei.

Já o tema “Incarnation” tem, sem novidade, uma panóplia de breaks que para quem os consome sem pão sem nada como eu, deixa-nos a arrotar e a pedir a conta no seu final.

Destaque especial para um break literalmente a meio da música, que parece uma manada de triceratops que corre atrás do ouvinte sem cessar.

Porém voltamos a ser surpreendidos com outro break na marca dos 4 minutos que me fez fazer uma cara feia que já não fazia desde que comia o puré da cantina da escola primária. (Não me questionem sobre estas comparações, a mente humana funciona de maneiras misteriosas).

Outro tema que se destacou para mim foi “Vermin”, começa lenta com a bateria a acompanhar e realçar mais um dos muitos riffs dançantes de Ferrão até que após um slide e um belo “Augh!” liberta tudo o que nós ansiávamos… Riffs soltos, a abrir e sem rédea curta.

“Não há misericórdia para aqueles que rezam”, proclamam!

E começa assim a reza, onde “Death Cult” nos acolhe na rodinha de adoração ao Doom, mas não se deixem enganar que a pedrada continua a ser assente a cada segundo neste álbum. Terminando este tema temos logo o aviso nos vocais, “Ninguém irá sobreviver”.

“God’s Burial” começa logo no fundo da campa e com um estouro capaz de abrir campas em solos de betão com extrema facilidade. Gritam “Thrones are screaming, lungs are bleeding” se isto não vos arrepia o sistema nervoso lamento informar mas já estão mortos e enterrados por dentro ( E o álbum ainda vai a meio e a procissão no átrio).

Ao ler o título desta música,“Human Torch” genuinamente pensei logo nos stoners todos sempre a queimá-los, e associei que talvez fosse um tema mais orientado para essas vertentes, mas não, a pedrada não dá descanso.

E caso não tivesse reparado no título, este encontra-se bem presente num coro no final da música acompanhado por acordes dissonantes que embelezam o que já se toma pela chegada ao fim do álbum.

Mas para acabar temos “Unholy Tomb”, o tema mais extenso do álbum que põe o ponto final a esta brincadeira, que no volume correcto pode aleijar os tímpanos mais sensíveis e inexperientes, não vá metade da scene do underground português andar a Minisom’s daqui a uns tempos.

O tema e o álbum terminam num descendo lento e fúnebre que celebra este matrimónio entre o doom e o metal em fade out que deixa em aberto e na esperança do ouvinte,  a sua continuidade. Porém tudo o que é bom chega ao fim e estamos todos condenados a morrer no Ritual de Soul of Anubis, se não é através do sacrifício que eles fizeram aos Deuses dos Riffs para invocar tamanho trabalho, é pelo tal buraco negro que eles criaram para acabar com a civilização, em qualquer um dos casos,  obrigado malta!

Se desejam presenciar o apocalipse em primeira mão, próxima sexta dia 20 de Março no Woodstock69 no Porto, este duo apresenta o seu Ritual na companhia dos Verbian que celebram um ano do seu último lançamento “Casa a Arder”.